5 dez 13

 

Resumo do livro “O valor da beleza: descubra as surpreendentes vantagens da boa aparência e por que as pessoas atraentes têm mais sucesso”, de Daniel S. Hamermesh
Diego Andreasi
Polêmico, livro põe em discussão uma visão que para muita gente é ultrapassada. Na prática, será que a beleza, realmente, não influencia? Mas o que é o belo?

Assumindo ou não a questão, muitos de nós sabemos que existe um retorno pela boa aparência, e que na busca pela beleza, gastamos inúmeras horas e também inúmeros reais em cuidados pessoais. Porém, quais seriam esses reais benefícios de quem teve a sorte de nascer com uma beleza acima da média? E o mais importante, será que as pessoas de boa aparência são privilegiadas no mercado de trabalho?

O economista Daniel S. Hamermesh acredita que sim, e expõe seu ponto de vista no polêmico livro O valor da beleza: descubra as surpreendentes vantagens da boa aparência e por que as pessoas atraentes têm mais sucesso. O autor tenta provar que os mercados de trabalho dos mais vários tipos, podem gerar o pagamento de um bônus pela boa aparência e a aplicação de penalidades no pagamento pela má aparência, em outras palavras, ele tenta medir a importância da beleza no comportamento econômico.

Seus argumentos são baseados principalmente em uma pesquisa feita em ampla escala na Universidade de Michigan, em 1971. Nela, o entrevistador foi instruído a “classificar a aparência física do entrevistado” utilizando a seguinte escala:

5 – Muito belo ou bela
4 – Boa aparência (acima da média por idade e sexo)
3 – Aparência média por idade e sexo
2 – Bastante comum (abaixo da média por idade e sexo)
1 – Feio

Esse estudo inicial, e consequentemente sua escala de aparência, serviu como ponto de partida para a realização de diversas outras pesquisas, nas quais suas conclusões estão resumidas logo adiante:

Primeiro emprego: no inicio da carreira, a boa aparência pode proporcionar ao trabalhador acesso a mais oportunidades de desenvolvimento de habilidades, reuniões com clientes, impressões favoráveis do chefe e assim por diante.

Outro estudo analisou os ganhos de um pequeno grupo de estudantes que haviam recentemente obtido seus MBA ao longo de 10 anos de suas carreiras, e foi constatado que os homens de boa aparência receberam salários iniciais maiores e tiveram crescimento mais rápido dos ganhos ao longo da década. Já entre as mulheres, as aparências não tiveram relação com os salários iniciais, mas as mulheres mais bonitas viram seus ganhos crescerem mais rapidamente.

Criminalidade: ao avaliar como a aparência de uma pessoa jovem afetava a probabilidade de ele ou ela se envolver em atividades criminosas, dois economistas descobriram que uma pequena porcentagem dos jovens muito feios apresentou uma probabilidade significativa e substancialmente maior de ter cometido roubo ou assalto do que os outros jovens.

Mercado de empréstimos: em uma pesquisa feita em um grande mercado de empréstimo on-line, foi identificado que os tomadores de empréstimo com aparência acima da média tiveram maior probabilidade de obter empréstimo, mesmo com históricos de credito e características demográficas semelhantes às de solicitantes com aparência pior. No entanto, apesar de obterem termos melhores em seus empréstimos, os solicitantes de melhor aparência apresentaram maior probabilidade de inadimplência.

Cônjuges e casamento: segundo o autor, indivíduos com aparência abaixo da media formam casais com cônjuges de menor grau de instrução, Como um ano a mais de escolaridade está associado a maiores ganhos extras entre os homens, e que uma mulher de aparência abaixo da média tem maiores chances de ganhar menos do que as que estão acima da média, a probabilidade desse casal ter uma renda mensal potencialmente menor é bem maior. As mulheres de boa aparência conseguem trocar sua beleza por uma melhor capacidade do marido em prover renda, e as mulheres de má aparência não conseguem.

Empregabilidade: a beleza pode ajudar mais um trabalhador de boa aparência durante uma recessão, quando há mais concorrência com outros candidatos a emprego. Seus efeitos serão menores quando os trabalhadores estiverem escassos e os empregadores não puderem ser dar ao luxo de ser tão exigentes. Levando em conta a nossa atual realidade, a primeira opção é verdadeiramente mais aplicável.

Fatores estéticos: a obesidade reduz os ganhos, mantido todo o restante igual, e isso é especialmente verdade entre as mulheres. Já para os homens, os efeitos positivos sobre os ganhos exercem sobre o quesito altura.

Política: em um estudo analisando a votação para as cadeiras do parlamento nacional australiano, foi constatado que os candidatos de boa aparência, tanto os que buscavam a reeleição quanto os opositores, apresentaram maior probabilidade de serem eleitos. Um detalhe que vale ser citado é que nessa pesquisa, não foi importante o quão bonito era o candidato, mas somente quanto mais bonitos ou mais feios eram os oponentes dos candidatos. Entretanto, também vale citar que a má aparência é um impedimento eleitoral menor quando um político ganha a confiança dos eleitores.

Por que as empresas devem pagar melhor os funcionários de boa aparência?

Para o autor, o campo no qual a beleza mais influencia é no setor que envolve contato direto com o cliente. Para ele, vendedores de boa aparência são mais persuasivos, chegando a tornar os produtos vendidos mais desejáveis.

Ele afirma que as evidências sugerem que os custos extras ocorridos pela empresa quando paga por trabalhadores de melhor aparência são pelo menos parcialmente compensados pelas vendas maiores que esses funcionários conseguem gerar para ela.

Resumindo o seu ponto de vista, para as empresas, compensa pagar um salário maior para os vendedores de boa aparência, pois estes revertem esse gasto em maiores vendas, gerando assim uma maior receita para a organização como um todo.

Em um segundo ponto, o autor afirma que funcionários bonitos tornam o ambiente geral da empresa mais produtivo, pois é motivador para os outros funcionários trabalhar ao lado de pessoas mais belas.

A relatividade da beleza

O autor, é claro, cita o argumento de que a beleza é relativa, ou seja, o que pode ser bonito para um, não é para outro, no entanto, por meio de um estudo realizado, ele chega a uma conclusão que a discordância total sobre as aparências é um evento extraordinariamente raro, basicamente, todos nós concordamos quase da mesma forma sobre quem é feio e quem é bonito.

Algumas pessoas fazem julgamentos duros sobre as aparências dos outros, enquanto outras são generosas em suas avaliações. Porém, os indivíduos tendem efetivamente a ver a beleza dos outros de forma semelhante, embora não idêntica.

A beleza é passageira; e juventude é beleza. Mesmo quando foi solicitado as pessoas a considerar a idade dos indivíduos ao julgar suas aparências, elas não conseguiram fazer isto. As pessoas tendem a classificar os adultos jovens como mais atraentes do que as pessoas mais velhas.

Conclusão

Não há muitas ocupações em que as preferências em relação ao clima, por exemplo, sejam realmente importantes; em que aqueles que não gostam de clima frio possam ganhar mais ou menos. Da mesma forma, em muitas ocupações, o talento musical de uma pessoa não tem impacto sobre os ganhos, saber tocar guitarra não irá te garantir um salário maior, a não ser que você seja músico.

A beleza, porém, pode ter efeitos importantes em muitas ocupações. E ela efetivamente tem. Não imensamente mais, mas substancial e significativamente mais.

Os efeitos da beleza nos ganhos não são imensos, mas certamente são substanciais. É importante dizer que não existe uma causalidade, seria um impossível afirmar que uma pessoa ganhou mais do que outra durante a vida apenas por ter melhor aparência, o que ele cita é que, em condições de habilidades parecidas, a chance de uma pessoa considerada acima da média em aparência ganhar mais do que outra são maiores.

Não há nenhuma razão para pensarmos que as pessoas belas são boas e as pessoas feias são más, mas nós o fazemos!

E você, concorda?

 

Related Posts with Thumbnails
  • Facebook
  • Twitter
  • Email
  • Digg
  • Orkut
  • LinkedIn

Filed under: Carreira

Trackback Uri




1 Comentário.

  • Álvaro disse:

    Em princípio concordo com o autor. Entendo, porém, haver vários padrões de beleza em função de algumas condições como: raça e cultura. Há, ainda a influência de quem está a julgar e a situação do avaliado, se estática , se dinâmica, se calado, se a falar. A simpatia é outro fator importante. Há pessoas belíssimas, mas antipáticas. É por isso que os concursos de beleza contemplam todss essas partes. As preferências de beleza mudam, também, com o tempo. As culturas ocidentais foram muito influenciadas pelo padrão greco-romano de beleza, intensamente divulgados pelas obras dos grandes pintores e escultores do renascimento, Miguel Ângelo, Leonardo Da Vinci, entre outros. Nos anos 50 o padrão de beleza masculino, por exemplo, era representado por um fisioculturista norteamericano chamado Charles Atlas. Na praia as mulheres admiravam o físico de rapazes com tais características, ombros largos, braços e pernas musculosos, bíceps avolumado, abdomem tipo “tanquinho”.
    Imaginem como eu, um adolescente, me sentia, 1,70m de altura, 50 Kg, magro, parecia mais um esqueleto andante ! Pois é, passados cerca de 40 anos o tipo físico atlético pouco importava às mulheres. E as mulheres preferiam o tipo magricela, para elas mesmas ! Por isso, selecionar pessoas pela beleza não é tarefa trivial, nem tampouco precisa o que, eventualmente conduz a descontentamentos com resultados de avaliação !



Deixe um comentário